20 de outubro de 2016

A Árvore da Mentira - Frances Hardinge

Livro: A Árvore da Mentira (The Lie Tree)
Autor (a): Frances Hardinge
Número de Páginas: 304
Editora: Novo Século.
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Sinopse: Na inóspita ilha inglesa de Vane, em pleno século XIX, os Sunderlys desembarcam, atraindo atenções e suspeitas. Quando o reverendo Erasmus, patriarca da família e proeminente estudioso de ciências naturais, é encontrado morto em circunstâncias obscuras, sua fi lha, a jovem e impetuosa Faith, está determinada a desvendar o mistério. Para isso, precisará de coragem não apenas para confrontar dolorosos segredos mas também para desafiar as implacáveis tradições da sociedade em que vive. Investigando os pertences do pai em busca de pistas, ela descobre uma planta estranha. Uma árvore que se alimenta de mentiras sussurradas e dá frutos que revelam verdades ocultas. Quando a espiral das sedutoras mentiras de Faith fica fora de controle, ela compreende que as verdades estilhaçam muito mais. Combinação de horror, romance policial e realismo fantástico, esta arrepiante história da premiada escritora britânica Frances Hardinge, autora de "Canção do Cuco", promete arrebatá-lo do começo ao fim.

RESENHA por Luciana Corrêa da Silva.

Oi gente!

Hoje trago a resenha de um livro diferente, inusitado e eletrizante. A Árvore da Mentira é uma publicação da Editora Novo Século e uma obra da escritora Frances Hardinge. Frances é uma inglesa, moradora de Kent, lugar onde o vento uiva, e isso despertou nela o gosto pelas histórias sombrias desde cedo. Este é seu sétimo livro e quem leu A Canção do Cuco recomenda a leitura.

O livro é muito original e conta a história de uma árvore. O cenário é uma ilha inglesa chamada Vane e é lá, no século XIX, que desembarca a família Sunderly atraindo olhares e suspeitas. O chefe da família, o reverendo Erasmus Sunderly, é um famoso estudioso de ciências naturais e em sua bagagem viajam muitas espécies de animais e plantas. Tudo isso é contado de forma tão conveniente, que esses espécimes elaborados e catalogados fazem o tom sombrio necessário para que o enredo ganhe o cunho amedrontador necessário para que cada página lida fique mais interessante.

A família é excêntrica e seus modos colocam o povo do local meio que em polvorosa. São muitas as risadinhas e as conversinhas escondidas, na casa que eles agora habitam. Isso desperta a ira de Faith, a esperta filha mais velha, uma jovem moça determinada a ganhar o amor dos pais e a atenção que uma mulher inteligente merece. Faith se acha incompreendida, ela acha que o fato dela ser mulher não deveria lhe tirar os sonhos, mas é o que ocorre a qualquer moça respeitável da sociedade daquela época. Faith se entristece ao ver que o desinteressado irmão mais novo, ainda uma criança, já tem muito mais possibilidades que ela.

...Por acaso perdeu a cabeça, ou somente o senso de gratidão? Por acaso acha que merece as roupas que veste, o teto que te protege ou a comida que te servem? Não. Não merece. Toda criança começa a vida em dívida para com os pais, que a abrigam, dão roupas e comida. Um filho pode algum dia pagar essa dívida ganhando algum dinheiro no mundo para aumentar as fortunas da família. Como filha, você nunca fará isso. Nunca servirá com honra no exército, nem vai se destacar nas ciências, nem fazer um nome para si na Igreja ou no Parlamento, … Nunca será nada além de um fardo, e um dreno no meu bolso.

As coisas andam de mal a pior na família, na casa e nas escavações que são feitas para a descoberta de fósseis na Ilha... há rumores de que o reverendo é uma fraude. Então ele é encontrado morto, as circunstâncias são obscuras, há muitas pessoas envolvidas e, ao mesmo tempo, ninguém é suspeito. São mistérios difíceis de serem revelados e a destemida filha precisará vencer mais que uma batalha para provar a inocência do pai. O problema é que, quanto mais a menina investiga os pertences do pai, mais pistas descobre sobre uma estranha planta, que ao que parece, o pai deu a vida para salvar.

Essa planta é estranha e enigmática, alimenta-se de mentiras sussurradas e seus frutos permitem que verdades ocultas sejam reveladas. Faith percebe que não poderá fugir desse poder e quanto mais mentiras ela inventa, mais as verdades acabam com ela.

A mentira é como uma fogueira, Faith estava aprendendo. Primeiro precisa ser nutrida e alimentada, mas com cuidado e gentileza. Um sopro delicado atiçaria as chamas recém-nascidas, mas uma baforada vigorosa demais as apagaria. Algumas mentiras ganham corpo e se espalham, crepitando de empolgação, e não precisam mais ser alimentadas. Mas então estas não são mais as suas mentiras. Têm vida e forma próprias, e não há como controlá-las.

O livro combina esquisitices de forma a deixar a história incrível. Com uma mistura de romance policial, filme de terror (que não dá medo, só suspense), realismo fantástico e caos, A Árvore da Mentira é uma incrível e arrepiante história. Adorei ser arrebatada a cada novo capítulo, senti-me envolvida e inesperadamente comovida com a história de Faith. É bem aquele ditado, que diz que de onde menos a gente espera, é dali que saem coisas incríveis.

Gostei muito do livro e acredito que seja um ótimo companheiro para quem deseja ler algo diferente e envolvente. Se você gosta de mistério, fantasia, investigação, tudo aliado a leitura de diários extraordinários, relações familiares perturbadas e fotos de mortos, onde é preciso pintar os olhos abertos para ludibriar eventos criminosos, leia.

Obrigada por ler, até a próxima!

Outras capas:

   



2 comentários

  1. Oi Lu, eu tenho que dizer que se eu entrasse numa livraria e visse a capa desse livro eu não leria nem a sinopse, ela tá bem macabra kkkk, ao menos pra mim que sou bem medrosa pra histórias de terror :D, mas pelo que li da sinopse e da resenha essa combinação estranha que compõe o desenvolvimento do livro tá mais pra suspense e fiquei até interessada. É um livro diferente do que tô acostumada a ler e a protagonista me pareceu um pouco duvidosa, já que se acha incompreendida e parece ter ciúmes do irmão. Como você disse o livro combina esquisitices e talvez isso resulte em uma história interessante, se tiver a oportunidade vou querer conferir ;)

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    1. Oi Lili, adorei seu comentário e é bem assim mesmo, até certa altura a gente não sabe bem o que será dos personagens ou até mesmo quem eles são. Demora-se um pouco a identificar quem é mesmo vilão e quem é bonzinho e nem na árvore podemos confiar, kkk Ela se alimenta de mentiras inescrupulosas. É terrível o efeito, mas não nos dá medo, só mais e mais vontade de saber o que vai ser disso tudo. É legal, eu te indico para quando quiseres sair da rotina. Beijo e obrigada :)

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